quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Casos de gêmeos duplicam no mundo; especialistas explicam



Levantamento divulgado pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças, um órgão reconhecido na área da saúde, nos Estados Unidos, datado de 2012, mostrou que os nascimentos de gêmeos dobraram dos anos 1980 para cá. Essa é uma tendência mundial e que se verifica também no Brasil, diz o médico Wagner Rodrigues Hernandez, ginecologista e obstetra do setor de gestações múltiplas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

A princípio, parece fácil explicar esse aumento. "Dois terços devem-se aos tratamentos de reprodução assistida", diz o médico. É que, para aumentar as chances de gravidez, os especialistas costumam implantar mais de um embrião no útero. Contudo, mesmo o número de gêmeos nascidos naturalmente –o terço restante– tem aumentado e é especialmente esse fenômeno que os pesquisadores estão tentando desvendar.

De maneira geral, o nascimento de gêmeos não é um evento tão incomum: uma em cada 40 crianças que nasce no mundo é gêmea. Mas nesse grupo incluem-se dois diferentes tipos de gemelaridade: os gêmeos univitelinos, ou idênticos, que são formados a partir da divisão de um mesmo óvulo fecundado, e os bivitelinos, que nascem da fecundação de dois óvulos por dois espermatozoides e, portanto, não são idênticos, podendo até serem de sexos opostos.

Os gêmeos univitelinos são bem mais raros e sua incidência tem permanecido constante na maioria dos países, em torno de 3,5 e 4 para cada mil nascimentos, segundo dados de pesquisa realizada pelo Laboratório de Genética da Universidade Católica de Pelotas, no Rio Grande do Sul. O que está aumentando significativamente são os gêmeos bivitelinos. E, para explicar esse aumento, diversos fatores estão sendo estudados.

Histórico familiar 

A mulher que tem gêmeos na família apresenta mais chance de gerar gêmeos não idênticos, afirma o urologista Jorge Haddad Filho, coordenador do Programa de Reprodução Assistida da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

"Presume-se que a predisposição a liberar dois óvulos seja uma herança ligada ao cromossomo X", diz o especialista. "O cromossomo X que carrega o suposto gene da superovulação pode vir do pai ou da mãe da mulher que vai engravidar", explica.

Segundo o obstetra Wagner Hernandez, quanto mais gêmeos a mulher tiver na família, maiores as chances de uma gravidez múltipla. A proximidade dos parentes que tiveram gêmeos também importa: "As relações de primeiro e segundo graus são as que mais aumentam as chances. Por exemplo, se a mulher tem uma irmã gêmea ou se a mãe dela tem uma irmã gêmea, há maior possibilidade de que ela venha a ser mãe de gêmeos".

No caso de gêmeos idênticos, a questão é mais controversa. Diversos estudos afirmam que a divisão de um óvulo em dois se dá por puro acaso, sem influência ambiental ou determinação genética. Contudo, um estudo recente realizado no município gaúcho de Cândido Godói indica o contrário. 

Conhecida como a "Cidade dos Gêmeos", com uma incidência de 10% na população geral, ela foi alvo de um estudo divulgado em 2011, feito por geneticistas da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). A pesquisa durou 17 anos e descobriu, no código genético da população local, uma variação do gene p53, que aumenta a chance de sobrevivência do embrião no útero.

Segundo os pesquisadores da UFRGS, em muitas gestações, as mulheres têm dois embriões, mas apenas um se desenvolve, o que acaba passando despercebido. No entanto, a variação genética encontrada poderia favorecer o desenvolvimento dos dois embriões.

A genética também seria a explicação para as diferenças já identificadas em estudos populacionais. "Mulheres afrodescendentes, em geral, são mais propensas a ter gêmeos, enquanto, entre as orientais, os gêmeos são mais raros", diz o obstetra Wagner Hernandez.

Idade da gestante 

"Mulheres após os 35 anos que engravidam espontaneamente possuem mais chances de terem gêmeos", diz Hernandez. Ele explica que isso acontece porque, em uma mulher mais velha, o estímulo para ovular precisa ser maior. Com isso, o organismo acaba produzindo mais FSH (o hormônio estimulador de folículos, as estruturas do ovário que contêm os óvulos) para garantir o desenvolvimento dos poucos folículos que restam. Então, aumenta a probabilidade de se produzir mais de um óvulo, em um mesmo ciclo.

Estudos clínicos confirmam a experiência prática dos consultórios. Uma pesquisa realizada na Universidade Vrije, na Holanda, em 2006, com um grupo de 500 mulheres, chegou à conclusão de que, no último estágio do ciclo reprodutivo da mulher, entre 38 e 48 anos de idade, há um aumento da predisposição à produção de óvulos múltiplos.

Índice de massa corporal 

Mulheres que apresentam um índice de massa corporal mais alto (acima de 30) também podem ter mais chances de gerar filhos gêmeos. A princípio, trata-se apenas de uma relação estatística, de explicação pouco conhecida.

Uma hipótese considerada pelos médicos é a de que mulheres obesas converteriam mais hormônios na gordura. "Elas estabeleceriam uma relação parecida com a das mães maduras, que têm níveis mais altos de FSH na corrente sanguínea e, por isso, teriam mais chances de produzir mais de um óvulo por ciclo", declara Hernandez.

Uso de anticoncepcional 

Após a interrupção do uso de pílula anticoncepcional, também haveria maior probabilidade de gestação gemelar. "Aconteceria mais ou menos o mesmo processo que ocorre com a mulher de idade mais avançada: o organismo enviaria mais hormônio para a corrente sanguínea, fazendo com que a mulher ficasse mais predisposta a ovular mais de um folículo", diz Hernandez.

Mas essa não é uma questão fechada. O médico Eduardo Zlotnik, coordenador do curso de pós-graduação em ginecologia e obstetrícia no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, discorda dessa tese. "Na verdade, o que pode ocorrer é que a mulher demore um pouco mais para voltar ao ciclo regular, apenas isso."

Ovários policísticos 

A obstetra Karla Giusti Zacharias, ginecologista da unidade do Itaim Bibi do Hospital São Luís, também na capital paulista‏, afirma que as mulheres que sofrem da síndrome do ovário policístico, uma disfunção hormonal que provoca irregularidades e falhas no ciclo menstrual, podem, eventualmente, produzir mais óvulos em um determinado ciclo.

O fenômeno poderia ocorrer, especialmente, no caso de mulheres que, em função da doença, precisam tomar medicamentos indutores de ovulação.

Altura da gestante 

"Mulheres mais altas também podem ter mais chances de engravidar de gêmeos", afirma Karla. O motivo seria o aumento da proteína IGF, abreviatura do termo em inglês "insulin-like growth factor" ou "fator de crescimento tipo insulina".

A médica cita uma pesquisa realizada nos Estados Unidos pelo obstetra Gary Steinman, do Centro Médico de Long Island. O levantamento mostrou uma relação entre a maior quantidade dessa substância no sangue e uma maior sensibilidade dos ovários ao FSH, o hormônio folículo-estimulante.

Nesse estudo, Steinman comparou as alturas de 129 mulheres que deram à luz gêmeos ou trigêmeos univitelinos ou bivitelinos (105 tiveram gêmeos e 24 tiveram trigêmeos) com a altura média das mulheres nos Estados Unidos. As mães de nascimentos múltiplos tinham, em média, cerca de 2,54 cm acima da estatura média.

Consumo de leite 

Gary Steinman também descobriu que as mulheres que consomem produtos de origem animal, especialmente laticínios, são cinco vezes mais propensas a ter gêmeos, se comparadas àquelas que fazem uma dieta vegana (sem produtos de origem animal).

A explicação também passa pelo aumento do IGF: a proteína é encontrada no leite de vaca e em outros produtos animais. Mas o que a pesquisa encontrou é uma probabilidade estatística e não um fator determinante, conforme alerta Haddad. "A relação não é tão direta e simples. Não podemos afirmar que, se a pessoa quiser ter gêmeos, então, basta tomar mais leite", diz o médico.

Os riscos da gravidez gemelar 

Apesar do fascínio que envolve os gêmeos, para os médicos, a notícia de uma gravidez gemelar é sempre motivo de preocupação. "Trinta por cento delas resultam em partos prematuros", diz o médico Eduardo Zlotnik, do Hospital Israelita Albert Einstein.

O risco é ainda maior quando os gêmeos dividem a mesma placenta, o que ocorre em cerca de 85% das gestações de bebês univitelinos (nas gestações de bivitelinos, ou seja, não idênticos, há, obrigatoriamente, duas placentas). "Quando há uma placenta só sustentando os dois bebês, um pode puxar o sangue do outro e atrapalhar o seu desenvolvimento", diz Zlotnik.

Segundo dados do Laboratório de Genética da Universidade Católica de Pelotas, a taxa de mortalidade logo após o parto é quatro vezes mais alta para gêmeos e seis vezes maior para trigêmeos.

 Além de prejuízos ao desenvolvimento do bebê, há, ainda, riscos de hipertensão e hemorragia para a mãe, que sofre a sobrecarga de uma gestação múltipla. Também já se verificaram maiores índices de depressão pós-parto nas mães de gêmeos. "A gravidez, por si só, é uma condição que exige bastante do organismo feminino. No caso de gêmeos, a atenção aos bebês e à mãe deve ser ainda maior", fala Zlotnik.

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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Estudo feito em 750 mulheres entre 18 e 40 anos descobriu que taxa de gêmeos após esse tratamento também é menor



Pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, descobriram que o letrozole, remédio usado para evitar a reincidência do câncer de mama, é 30% mais eficaz para estimular a ovulação em comparação ao clomifeno, medicamento atualmente usado para esse fim.

A pesquisa, feita em 750 mulheres entre 18 e 40 anos, analisou o resultado do uso do letrozole e clomifeno ao longo de até cinco ciclos menstruais e provou que a taxa de gravidezes aumentou no uso do medicamento novo em relação ao antigo.

A droga é principalmente indicada para quem sogre da síndrome do ovário policístico (SOP) – um conjunto de sintomas que vão desde a androgenia (características masculinas, como pelos mais grossos), até a acne e menstruação irregular. Mesmo com a síndrome, algumas mulheres conseguem engravidar naturalmente, enquanto outras conseguem conceber somente quando mudam hábitos de vida, como perder peso, controlar o estresse e se alimentar corretamente.

No entanto, para um grupo de mulheres, essas medidas não funcionam, o que leva o ginecologista a receitar um medicamento para estimular a ovulação. São nesses casos que o letrozole se mostrou mais eficiente do comumente usado clomifeno.

A ginecologista especialista em reprodução humana do Vida, Centro de Fertilidade da Rede D’Or, Alessandra Evangelista, explica que o letrozole não é um medicamento novo: está no Brasil há algum tempo para evitar reincidência do câncer de mama. No entanto, a prescrição do novo uso poderá encontrar barreiras no preço: as doses do clomifeno giram em torno de R$ 30 a 50, enquanto o letrozole custa em média de R$ 200 a 400.

Ter um medicamento mais eficaz no mercado não invalida o uso do antigo, que, na grande maioria das vezes, é suficiente para fazer uma mulher engravidar. Acima de tudo, alerta a médica, é preciso investigar a causa da infertilidade.

A idade é um dos fatores que limitam a escolha de tratamentos. Alessandra explica que, em uma mulher com 25 anos, por exemplo, há tempo para que ela possa mudar hábitos de vida, perder peso e desestressar-se. Já se ela tem 35 anos, o tratamento deve ser mais rápido, uma vez que a taxa de fertilidade cai drasticamente após essa idade. A mulher deve tentar mudar os hábitos rapidamente e, se não conseguir engravidar, parte-se para o tratamento.

Menos gêmeos 

Um dos trunfos do letrozole é a menor taxa de nascimento de gêmeos. O estudo mostra que aproximadamente 10% das mulheres que foram estimuladas com clomifeno tiveram gêmeos. Para o letrozole, a taxa caiu para 3%. Segundo os médicos envolvidos com o estudo, conceber apenas um bebê a cada gravidez torna a gestação mais segura.

Disponível no Brasil, o uso do letrozole para estimular ovulação é o que se chama de “off label” – quando um medicamento para um determinado fim é usado para outro propósito. No entanto, como testes de segurança foram feitos para libera-lo para uso nos casos de câncer de mama, a aprovação de um órgão regulador de medicamentos para uma nova função do remédio pode vir mais rapidamente.

Foto: Thinkstock

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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Comer sete nozes todo dia ajuda homem a ser mais fértil



Incluir sete nozes por dia na dieta normal pode melhorar a contagem e a qualidade do esperma. Essa é a aposta de médicos da Azienda Ospedaliera Citta della Salute e della Scienza di Torino, na Itália, que estão testando a teoria num estudo com cem homens em tratamento para infertilidade.

Um grupo vai apenas adicionar as castanhas (nozes, avelãs, amêndoas e amendoins) à alimentação, enquanto outro diminuirá a ingestão de gordura saturada (cortando o consumo de carne processada e laticínios) e aumentará a de gorduras saudáveis, a partir de peixes oleosos e sementes. Os cientistas acreditam que ambas as estratégias podem melhorar a fertilidade.

— Nozes são ricas em ácidos graxos poli-insaturados, relacionados à qualidade e mobilidade dos espermatozoides, e vitamina E. Além de antioxidante, ela consegue diminuir a ocorrência de mutações nas células reprodutivas e melhora a ação dos hormônios masculinos — explica a nutricionista Aline Monteiro Labes, professora da pós-graduação em nutrição clínica da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

De acordo com a especialista, desintoxicar a dieta (como está fazendo um dos grupos) não só aumenta as chances de gravidez como também contribui para que o bebê gerado seja mais saudável.

No entanto, para o ginecologista, obstetra e fertileuta Paulo Gallo, diretor médico do Vida – Centro de Fertilidade da Rede D’Or, é difícil mensurar em cada pessoa o quanto uma boa alimentação influencia a fertilidade. Segundo ele, o que já está comprovado é que hábitos ruins prejudicam a produção de gametas, e isso afeta, sobretudo, homens que têm a contagem de espermatozoides no limite do normal.

— O fumo, a bebida alcoólica e uma dieta rica em gorduras podem piorar em até 30% a qualidade seminal — alerta Gallo, lembrando que a obesidade também reduz as chances de gestação espontânea.

Confira a matéria no site do jornal Extra

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

5 coisas que todo homem grávido precisa saber


Aqui, informações importantes que seu companheiro precisa saber – escritas por um pai para outros homens–grávidos:

*A grávida vai ficar mais emotiva – e não só com notícias que envolvam crianças, mas até com uma propaganda ou desenho animado. Sim, seria como uma TPM, mas ainda mais imprevisível...

*Vai falar sobre a louça suja ou a porta que ficou destrancada? Se não puder evitar, finalize a reclamação com um apelido carinhoso. Mas prefira frases seguras, como: “Claro que concordo com você”. Ou: “Sim, querida”.

*Sua mulher pode estar desconfortável com o próprio corpo e se achar feia. Então, nunca chame a sua mulher de “orquinha” ou qualquer outro apelido do gênero (mesmo que com muito carinho).

*É comum a grávida ter dificuldades para dormir por causa de algum mal-estar. Nessa hora, você tem que ser solidário e, de preferência, não dormir também (em geral, ela vai querer dividir a preocupação com você).

*No parto, sua função é ficar firme e não desmaiar. Depois, no pós-parto, seu papel é controlar o número de visitas ao recém-nascido.

Fonte: Diário de um Grávido (Mescla Editorial), de Renato Kaufmann

Confira a matéria no site da revista Crescer

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Veja técnicas que preservam a fertilidade de pacientes com câncer


Ao receber a notícia de que se está com câncer, muitas pessoas acham que o plano de ser mãe ou pai terá de ser esquecido. A preocupação faz sentido. Alguns quimioterápicos podem causar infertilidade e a radioterapia, dependendo de onde for aplicada, pode também afetar a função ovariana.

Mas existe solução. Hoje, já existem técnicas que preservam a fertilidade. A maioria delas envolve a criopreservação, que é o congelamento de óvulos ou sêmen, embriões, tecido ovariano ou testicular.

O importante é avisar o oncologista já no momento do diagnóstico, porque todo o processo deve ser feito antes do início do tratamento. Veja abaixo como funciona cada tipo de procedimento:

Congelamento de óvulos ou sêmen - É a técnica mais usada. “No caso das mulheres, congela-se 10 a 12 óvulos, dependendo do estímulo que a mulher receber”, explica a ginecologista Graciela Morgado

Esse estímulo a que ela se refere é a medicação dada para a mulher ovular e, então, ter seus óvulos retirados. Quanto mais nova a mulher for, maior será o sucesso do estímulo que ela vai receber. Os óvulos devem ser mantidos congelados e armazenados até o momento em que o tratamento contra o câncer terminar e a mulher desejar ser mãe.

Já para os homens, basta coletar o sêmen como acontece num exame de espermatograma. As taxas de sucesso dessa técnica giram em torno dos 40% para homens ou mulheres.

Congelamento de embriões - Para quem já tem um parceiro(a), outra opção é congelar os embriões, que posteriormente serão implantados no útero materno. Congela-se cerca de quatro embriões, com taxa de sucesso semelhante ao congelamento de óvulos ou sêmen.

Mas há um porém envolvendo essas duas técnicas. Como elas dependem de estímulos medicamentosos hormonais, alguns desses remédios podem “alimentar” o tumor em andamento e fazer com que ele cresça mais em um curto período de tempo. Quando o oncologista avalia esse risco e não indica a indução de ovulação, outro procedimento entra em cena: o congelamento do tecido ovariano.

Congelamento do tecido ovariano - Maria Cecília Erthal, especialista em reprodução humana da Clínica Vida, centro de fertilidade da rede D’Or do Rio de Janeiro, explica que essa é ainda uma técnica experimental, usada quando há risco de avanço do câncer pela estimulação da ovulação e também em meninas pequenas, que estão com câncer e ainda não começaram a ovular. “Faz-se uma cirurgia por videolaparoscopia, como uma biópsia, e extrai-se uma parte do tecido”, explica a médica.

O mesmo vale para meninos ainda crianças: extrai-se parte do tecido testicular para preservação da fertilidade, técnica igualmente experimental. A taxa de sucesso de gravidezes por essa técnica é menor do que a de congelamento de óvulos em embriões.

A polêmica em torno dessa técnica está por que não se sabe se o tecido retirado (cerca de dois centímetros), ao ser implantado novamente, carregará ou não as células cancerosas. "E se o câncer já tinha afetado o tecido no momento da coleta? Há esse risco", explica a médica, informando que esse procedimento é feito quando não resta outro.

"Por mais que se estude os fragmentos de células para descobrir as cancerosas, se estudar todo o tecido, você o destroi e não sobra nada para congelar. Para estudar é preciso colocar fixadores, corantes, e isso faz com que ele não viva mais", explica a especialista.

Nem todo tratamento causa infertilidade 

Graciela explica que alguns quimioterápicos não causam infertilidade e, inclusive, podem até serem usados durante uma gravidez. Mas, como sempre, cada situação é individual e o oncologista é o profissional que vai decidir o melhor a ser feito.

Quando a quimioterapia não afeta os ovários, a mulher continua ovulando durante o tratamento. No caso dos medicamentos que alteram a função ovariana, é como uma menopausa precoce. Algumas mulheres, porém, voltam a ovular naturalmente depois do tratamento, mas, segundo a ginecologista, existe o risco de o óvulo estar com alguma alteração genética. O mesmo vale para os homens: depois de uma quimioterapia que afeta sua função reprodutiva, o sêmen pode sofrer alterações genéticas.

A radioterapia só prejudica os óvulos quando é feito na região da pelve ou na região dos testículos. “Na mulher, essa radioterapia é normalmente feita no câncer de útero, por exemplo”, diz a médica.

Quando o risco de falência dos órgãos reprodutores é iminente por causa da radioterapia, há ainda outra saída: esconder o ovário. Essa técnica, chamada de transposição de ovários, consiste em uma cirurgia videolaparoscópica em que o ovário é “descolado” do local em que se encontra e escondido atrás do útero ou um pouco acima da pelve, mantendo a irrigação sanguínea do local. Depois do câncer tratado, outra cirurgia traz o ovário para o lugar original.

Confira a matéria no portal iG

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Inscrições abertas para o V Simpósio de Fertilidade

Não perca nosso próximo simpósio, que acontece no dia 13 de setembro, no Rio. O evento, voltado para o público médico, é gratuito e discutirá um dos temas presentes no dia a dia dos ginecologistas que mais prejudicam a fertilidade feminina: a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Confira a programação e se inscreva!

Veja aqui como se inscrever!







segunda-feira, 21 de julho de 2014

Congelamento de Óvulos O que é e como é feito



CONGELAMENTO DE ÓVULOS: PARA QUE SERVE E SEUS BENEFÍCIOS

O organismo feminino funciona como um relógio biológico e indica que, entre 25 e 30 anos, é a fase mais propícia para engravidar, pois é o período mais fértil da mulher. Após essa faixa etária, a produção de óvulos vai diminuindo. Estudos apontam que aos 35 anos, a fertilidade feminina alcança a metade de chance apresentada aos 25 anos e, aos 40 anos, a possibilidade é a metade confirmada aos 35 anos. “Por isso, a paciente que pretende engravidar após os 30 anos pode recorrer ao congelamento de óvulos”, diz o ginecologista Joji Ueno .

O QUE É E COMO É FEITO O CONGELAMENTO DE ÓVULOS? 

O especialista explica que o congelamento de óvulos, também chamado de vitrificação, ocorre a partir do armazenamento das células que, no futuro, poderão ser fertilizadas em laboratório. “A técnica consiste em estimular o ovário feminino por meio de medicamentos para que haja uma produção extra de óvulos que serão ser extraídos com o manuseio de uma agulha específica guiada por ultrassonografia”, relata. O ideal é que o congelamento seja feito até os 35 anos pois, a partir dessa idade, existe uma diminuição expressiva da qualidade dos óvulos, o que pode comprometer o resultado final.

Os óvulos são tratados para que possam ser congelados, sendo que podem ficar armazenados por tempo indeterminado. “Esses óvulos ficam em recipientes isolados termicamente”, acrescenta. Ao decidir engravidar, a mulher pode solicitar o descongelamento dos óvulos que, irão passar pelo processo de Fertilização In Vitro (FIV), ou seja, serão fertilizados em laboratório e, quando for confirmada a formação dos embriões, estes poderão ser depositados no útero da paciente. “Vale ressaltar que a gravidez só é confirmada após testes específicos realizados após ser feita essa transferência. Portanto, o congelamento não é garantia de que realmente irá ter um filho”, completa o ginecologista.

Estudos recentes apontam que apenas 10% dos óvulos são perdidos durante o processo de congelamento. O método foi aperfeiçoado nos últimos anos e oferece, em média, 40% de chance de a mulher engravidar. “O risco de aborto obedece à mesma orientação para a fertilização natural, ou seja, mulheres mais velhas têm risco maior”, pontua o especialista. Com relação ao risco de gestação múltipla, o médico sugere que uma forma de atenuar essa possibilidade é restringindo o número de embriões transferidos para o útero da paciente.

BENEFÍCIOS DO CONGELAMENTO DE ÓVULOS 

No caso de desejo ou necessidade de preservar a fertilidade, como, por exemplo, pacientes com câncer que necessitam de radio ou quimioterapia, ou em casos de mulheres que desejam postergar a gravidez por motivos pessoais. Segundo Ueno, além das mulheres que pretendem adiar a gravidez, o método também pode ser uma boa opção para mulheres que serão submetidas a algum tipo de cirurgia em que parte do tecido ovariano será retirada, paciente com possibilidade de menopausa precoce ou até mulheres que terão de ser submetidas a tratamentos oncológicos, como quimioterapia ou radioterapia devido ao diagnóstico de câncer. “Neste último caso, o congelamento precisa ser feito antes do início do tratamento para não comprometer as células”, finaliza o médico.

O Vida – Centro de Fertilidade da Rede D’Or lembra que caso a mulher desista de guardar os óvulos congelados estes devem ser descartados ou doados de forma anônima. A doação de gametas ( óvulos e espermatozóides ), por determinação do Conselho Federal de Medicina, tem que ser sempre anônima.

As indicações para o congelamento de óvulos são:

1) Mulheres solteiras com pouco menos de 35 anos preocupadas com a diminuição progressiva de sua fertilidade.- Esse é um dos principais motivos que levam as mulheres a procurar o congelamento de óvulos e deve ser divulgado para que elas não percam o momento certo de realizar esse procedimento.

2) Mulheres com histórico familiar de menopausa precoce: Essa é uma indicação muito importante, principalmente para as que não pretendem engravidar antes dos trinta anos.

3) Fertilização in Vitro: Para as mulheres que tem óvulos congelados e estão com mais de 40 anos, vale muito mais a pena descongelar e fazer a fertilização in vitro com esses óvulos – que, com certeza, tem mais qualidade –, aumentando a chance de gravidez, como também diminuindo a chance de abortos e gestação com risco de alterações cromossômicas como, por exemplo, a síndrome de Down.

4) Mulheres que serão submetidas a tratamentos oncológicos.: Como tem aumentado a incidência de câncer em pessoas jovens e ainda sem filhos e, ao mesmo tempo, com o avanço das terapias oncológicas, o que se observa cada vez mais é um numero maior de pessoas que sobrevivem. A preservação da fertilidade se tornou um procedimento muito importante nessas situações. É de extrema importância que os oncologistas ofereçam esse tratamento para os pacientes com câncer, que vão se submeter à radio e ou quimioterapia, inclusive por que a perspectiva de constituir a prole reforça para essas pessoas a esperança da cura.

Confira a matéria no site Acertei Saúde