quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Seis mitos sobre a fertilidade feminina



A fertilidade é um dos assuntos que mais geram dúvidas nos pacientes. Sabendo disso, a diretora-médica do Vida (Centro de Fertilidade da Rede D'Or), Dra. Maria Cecília Erthal, elaborou uma lista de seis mitos sobre a fertilidade feminina. Veja abaixo:

1 - Minha menstruação é regular. Logo, certeza que sou fértil. 

R: Não. O fato de ter menstruações regulares, nos fala a favor de ciclos ovulatórios, porém isso não significa fertilidade. Outros fatores, que não alteram o ciclo menstrual, podem estar implicados na dificuldade em engravidar, como o fator tubário/ peritoneal, fator uterino, fator cervical ou mesmo sem nenhuma causa aparente.

2 - Basta cuidar bem da saúde para não ter problema de fertilidade. 

R: Uma alimentação saudável e exercícios físicos são sempre bem-vindos e recomendados, mas isso não quer dizer que essas medidas sejam suficientes para não se apresentar problemas de fertilidade. Outros fatores, independentes de um estilo de vida saudável, podem estar envolvidos e comprometer a fertilidade.

3 - Já tive um filho. Não vou ter dificuldade de engravidar novamente.

R: Ter engravidado naturalmente uma vez não é garantia de que o mesmo acontecerá uma segunda vez. A infertilidade secundária (quando um casal não consegue engravidar, com história de gravidez anterior) é tão comum quanto a infertilidade primária (casal com dificuldade em engravidar, sem história de gravidez anterior). As condições de saúde do casal podem alterar com o passar do tempo e a idade da mulher, que já não é a mesma da primeira gravidez, é o fator mais importante a ser considerado quando se decide calcular as possibilidades de gravidez de um casal.

4 - Somente as mulheres são inférteis. 

R: Não. A infertilidade acomete tanto homens como mulheres, basicamente na mesma proporção. Em média, 30% dos casos de infertilidade são devidos ao fator masculino, 30% ao fator feminino, 15 - 30% aos fatores mistos e 10% são de causas desconhecidas. Se um casal apresenta dificuldade em engravidar, ambos devem passar por uma investigação clínica e ambos são passíveis de tratamento quando indicado.

5 - Não vou procurar uma clínica de fertilidade porque a única técnica usada é a fertilização in vitro. Com isso, eu corro o risco de ter gravidez múltipla. 

R: Não. A Fertilização In Vitro (FIV) não é a única técnica utilizada em clínicas de Reprodução Humana Assistida, existindo outras como Inseminação Intrauterina e coito programado. Alguns casais podem nem ter indicação para essas técnicas e apenas com uma determinada conduta clínica ou, eventualmente, com um procedimento cirúrgico pode ser possível restaurar a fertilidade.

Em relação à gestação múltipla, essa taxa varia de acordo com o número de embriões transferidos na Fertilização in vitro. Na inseminação intrauterina ou coito programado, essa taxa varia de acordo com o número de folículos em desenvolvimento. Se o casal não deseja ter uma gravidez múltipla, consegue-se minimizar esse risco, como por exemplo, transferindo apenas um embrião nos casos de FIV.

6 - Já recorri a uma clínica e o tratamento não deu certo. Meu caso não tem solução. 

R: As técnicas de Reprodução Assistida não são matemática. Uma série de fatores estão envolvidos e muitos deles ainda são desconhecidos. A medicina reprodutiva tem avançado muito nos últimos tempos e isso tem contribuido para cada vez mais, oferecermos o que há de melhor e mais atual para os casais inférteis.

É verdade que o tratamento, em alguns casos, é desgastante e algo frustrante, mas a perseverança muitas vezes leva à tão desejada gravidez. Confie no seu médico, esclareça as suas dúvidas e divida as suas angústias e medos. A caminhada pode ser longa, mas o objetivo final faz compensar qualquer esforço.


Confira a matéria no site SRZD

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Descubra se pode ser feito algo para aumentar a possibilidade de engravidar de gêmeos



“Como engravidar de gêmeos?”. Muitas mulheres se fazem essa pergunta, pois têm o desejo de engravidar de dois bebês ao mesmo tempo. Infelizmente, nada pode ser feito para aumentar as chances de uma gestação gemelar espontânea. “O que aumenta as possibilidades de ter gêmeos, tanto gêmeos univitelinos (idênticos) quanto bivitelinos (diferentes), é o histórico familiar. Então, quem é filho ou neto de alguém que é gêmeo tem mais chances de ter uma gestação gemelar”, explica o ginecologista obstetra Paulo Gallo, diretor médico do Vida – Centro de Fertilidade da Rede D’Or do Rio de Janeiro e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Casais que realizam tratamentos para engravidar têm maiores possibilidades de engravidarem de gêmeos bivitelinos. Mas o tratamento só deve ser buscado quando há dificuldades para engravidar e após recomendação médica. “É importante deixar claro que tomar remédios para a ovulação sem orientação de um médico é perigoso porque a mulher pode engravidar de trigêmeos ou quadrigêmeos”, ressalta Gallo.

Não pense que ter gêmeos é apenas fofura em dobro! A gestação gemelar é mais perigosa do que a normal porque há maior risco de prematuridade, malformações do feto e discordância de pesos entre os fetos. Para as grávidas, há mais chances de náuseas e vômitos no começo da gravidez, placenta prévia, atonia uterina pós-parto e estrias.

Confira a matéria no portal Bebê & Mamãe

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Trinta anos depois, como está a jovem que foi o primeiro bebê de proveta do país



Anna Paula Caldeira completa nesta terça-feira 30 anos. Seria um aniversário qualquer se ela não fosse o primeiro bebê de proveta do Brasil. Ela diz que não será “nada demais” a comemoração. Mas, pelo lado da ciência, reconhece tratar-se de uma data representativa. A partir deste procedimento, mais de 300 mil bebês nasceram no país pela fertilização in vitro (FIV). No mundo, são cinco milhões desde 1978, quando Louise Joy Brown nasceu no Reino Unido.

— Independente de ser o primeiro bebê de proveta, a verdade é que fazer 30 anos por si só já dá um frio na barriga — brinca Anna Paula, hoje nutricionista. — Tenho consciência do quanto isto é importante para a medicina, o quanto abriu portas. Mas sei que muitos ainda não conseguem ter um filho.

Anna Paula nasceu em São José dos Pinhais (PR), onde vive até hoje. Ela foi a primeira criança nascida por FIV também na América Latina. Sua mãe, a paranaense Ilza Caldeira, realizara uma ligadura de trompas uterinas e, por isso, não podia ter mais filhos. Foi quando procurou o médico Milton Nakamura (falecido em 1997), que testava a técnica, até então, sem sucesso.

— Uma paciente morreu durante o processo, e isso o marcou muito. Mas voltou a ter forças, investiu no sonho e acabou funcionando — lembra Isaac Yadid, diretor médico da Primordia Medicina Reprodutiva, que integrou a equipe de Nakamura.

TÉCNICA AVANÇOU, MAS SEM MILAGRE 

A técnica foi trazida para o Brasil pelo australiano Alan Trounson, responsável pelo nascimento de Zoe Leyland pouco antes da experiência brasileira, em 28 de março do mesmo ano. À época, a gravidez de Ilza foi mantida em sigilo pelas altas chances de insucesso. A foto só foi divulgada cinco dias depois do nascimento da menina saudável.

— O pesquisador trouxe o know how que não tínhamos. Mesmo assim, tudo era feito de maneira rudimentar e sem controle. Comparado à hoje, era um fundo de quintal completo — comenta.

Trinta anos depois, especialistas enumeram os avanços do FIV. Diretor-médico do Vida – Centro de Fertilidade da Rede D’Or, Paulo Gallo explica que a mulher precisava ser internada e tinha o abdome aberto para a retirada de óvulos, mas agora a aspiração deles é feita só com uma agulha por via vaginal e duração de cerca de 10 minutos. Ela recebe doses de hormônios para estimular a ovulação e produzir um número grande de óvulos, aumentando, assim, as chances de fertilização. Óvulos maduros e espermatozoides em tamanho e qualidade adequados são mantidos numa incubadora que simula as condições do corpo feminino. Com um microscópio, o embriologista seleciona as melhores células e induz a fecundação do embrião. Esse procedimento, conhecido como ICSI, beneficiou homens com espermatozoides de má qualidade.

— Além disso, era comum o nascimento de tri ou quadrigêmeos, porque muitos embriões eram implantados. Hoje podemos escolher os melhores e transferir um ou dois por vez — acrescenta Gallo.
Outras inovações são o teste genético dos embriões, que avalia o risco de doenças hereditárias; a gravidez em casais soro-discordantes (portadores de HIV e hepatite, principalmente). E o congelamento de espermatozoides, óvulos e embriões, para a pacientes com câncer, que temem perder a fertilidade, ou os que querem engravidar no futuro.

Mas não há milagre no tratamento, que gira em torno de R$ 15 mil, sem garantias de que vai funcionar. As chances de sucesso caem à medida que a mulher envelhece: aos 30 anos, elas estão em torno dos 60%; aos 43, não passam de 5%.

— A mulher precisa se conscientizar que existe uma finitude na capacidade de produzir óvulos — alertou Yadid.

— São inúmeros os avanços nos últimos anos, mas a idade ainda é o grande empecilho — completa Gallo.

Foto: Rafael Forte

Confira a matéria no site do Jornal O Globo

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Sangramento durante a amamentação é prejudicial ao bebê?



O que fazer quando o bebê mama leite com sangue? Essa pode ser uma dúvida recorrente para muitas mamães que passam pela situação de sangramento durante os primeiros dias de amamentação.

De acordo com o Dr. Cássio Sartório, do Vida – Centro de Fertilidade da Rede D’Or, essa situação pode acontecer em decorrência de uma síndrome chamada de “cano enferrujado”, caracterizada pelo aumento da vascularização dos alvéolos e dos mamários. Nessa situação, o leite pode variar da cor rosa claro para vermelho.

Outra situação que pode fazer com que o sangramento apareça durante a amamentação é a rachadura do mamilo. A diferença é que esta situação também pode representar o sinal doenças mais graves. Portanto, a mãe deve estar sempre atenta e fazer o acompanhamento médico constante.

Mas não há motivo para desespero! Por ser uma situação fisiológica, as mamães devem ficar atentas se o sangramento persiste ou caso haja fissuras ou sinais de inflamação, como dor, calor, rubor ou febre. “Vale a pena lembrar que esses sintomas podem surgir na amamentação e serem decorrentes apenas da amamentação. Na dúvida, deve-se sempre procurar o médico para avaliação”, explica. 

Além disso, ingerir o leite com sangue não é prejudicial para o bebê. Mesmo que inicialmente a criança estranhe o gosto, a amamentação deve ser contínua e estimulada, pois é muito importante para a saúde do bebê.

O único momento em que a amamentação deve ser evitada é em caso de infecção. Neste caso, o indicado é drenar a mama infeccionada para não acumular o leite e amamentar o bebê com a outra saudável. “Na maioria das vezes, o sangramento para nos primeiros dias ou semanas de amamentação, e é totalmente normal. Qualquer outro sintoma ou ferimento devem ser sempre relatados ao médico”, finaliza o doutor.

Fonte: Dr. Cássio Sartório, do Vida – Centro de Fertilidade da Rede D’Or

Confira a matéria no site Mamare

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Saiba o que pode ser feito para aumentar as chances de engravidar de menina


Algumas atitudes teoricamente podem aumentar suas chances de engravidar de menina. Primeiro, é preciso que você entenda como é definido o sexo do bebê. “O óvulo tem o cromossomo X, enquanto o espermatozoide pode ter o cromossomo X ou Y. Se o espermatozoide tiver o X será menina, se tiver o Y será menino”, explica o ginecologista obstetra Paulo Gallo, diretor médico do Vida – Centro de Fertilidade da Rede D’Or do Rio de Janeiro e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Existem algumas diferenças entre o espermatozoide com o cromossomo X e aquele com o Y. “Os espermatozoides com o cromossomo Y são mais rápidos, mas morrem mais cedo. Enquanto os espermatozoides com o X são mais lentos, contudo vivem mais”, constata Gallo.

Por isso, alguém que quer engravidar de uma menina pode tentar aumentar as chances disto acontecer tendo relações sexuais cerca de dois dias antes da ovulação. Assim, existe a possibilidade do espermatozoide masculino chegar primeiro, mas como não haverá óvulo, ele não fecundará e morrerá antes. Enquanto o espermatozoide feminino chegará depois, mas continuará vivo quando o óvulo chegar e o fecundará, resultando em uma menina.

Contudo, é importante ressaltar que este método é apenas um auxilio, mas não há garantias. “Afinal, é muito difícil saber exatamente quando a mulher irá ovular”, diz Gallo.

Confira a matéria no site Bebê & Mamãe

Foto: Getty Images

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Casos de gêmeos duplicam no mundo; especialistas explicam



Levantamento divulgado pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças, um órgão reconhecido na área da saúde, nos Estados Unidos, datado de 2012, mostrou que os nascimentos de gêmeos dobraram dos anos 1980 para cá. Essa é uma tendência mundial e que se verifica também no Brasil, diz o médico Wagner Rodrigues Hernandez, ginecologista e obstetra do setor de gestações múltiplas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

A princípio, parece fácil explicar esse aumento. "Dois terços devem-se aos tratamentos de reprodução assistida", diz o médico. É que, para aumentar as chances de gravidez, os especialistas costumam implantar mais de um embrião no útero. Contudo, mesmo o número de gêmeos nascidos naturalmente –o terço restante– tem aumentado e é especialmente esse fenômeno que os pesquisadores estão tentando desvendar.

De maneira geral, o nascimento de gêmeos não é um evento tão incomum: uma em cada 40 crianças que nasce no mundo é gêmea. Mas nesse grupo incluem-se dois diferentes tipos de gemelaridade: os gêmeos univitelinos, ou idênticos, que são formados a partir da divisão de um mesmo óvulo fecundado, e os bivitelinos, que nascem da fecundação de dois óvulos por dois espermatozoides e, portanto, não são idênticos, podendo até serem de sexos opostos.

Os gêmeos univitelinos são bem mais raros e sua incidência tem permanecido constante na maioria dos países, em torno de 3,5 e 4 para cada mil nascimentos, segundo dados de pesquisa realizada pelo Laboratório de Genética da Universidade Católica de Pelotas, no Rio Grande do Sul. O que está aumentando significativamente são os gêmeos bivitelinos. E, para explicar esse aumento, diversos fatores estão sendo estudados.

Histórico familiar 

A mulher que tem gêmeos na família apresenta mais chance de gerar gêmeos não idênticos, afirma o urologista Jorge Haddad Filho, coordenador do Programa de Reprodução Assistida da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

"Presume-se que a predisposição a liberar dois óvulos seja uma herança ligada ao cromossomo X", diz o especialista. "O cromossomo X que carrega o suposto gene da superovulação pode vir do pai ou da mãe da mulher que vai engravidar", explica.

Segundo o obstetra Wagner Hernandez, quanto mais gêmeos a mulher tiver na família, maiores as chances de uma gravidez múltipla. A proximidade dos parentes que tiveram gêmeos também importa: "As relações de primeiro e segundo graus são as que mais aumentam as chances. Por exemplo, se a mulher tem uma irmã gêmea ou se a mãe dela tem uma irmã gêmea, há maior possibilidade de que ela venha a ser mãe de gêmeos".

No caso de gêmeos idênticos, a questão é mais controversa. Diversos estudos afirmam que a divisão de um óvulo em dois se dá por puro acaso, sem influência ambiental ou determinação genética. Contudo, um estudo recente realizado no município gaúcho de Cândido Godói indica o contrário. 

Conhecida como a "Cidade dos Gêmeos", com uma incidência de 10% na população geral, ela foi alvo de um estudo divulgado em 2011, feito por geneticistas da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). A pesquisa durou 17 anos e descobriu, no código genético da população local, uma variação do gene p53, que aumenta a chance de sobrevivência do embrião no útero.

Segundo os pesquisadores da UFRGS, em muitas gestações, as mulheres têm dois embriões, mas apenas um se desenvolve, o que acaba passando despercebido. No entanto, a variação genética encontrada poderia favorecer o desenvolvimento dos dois embriões.

A genética também seria a explicação para as diferenças já identificadas em estudos populacionais. "Mulheres afrodescendentes, em geral, são mais propensas a ter gêmeos, enquanto, entre as orientais, os gêmeos são mais raros", diz o obstetra Wagner Hernandez.

Idade da gestante 

"Mulheres após os 35 anos que engravidam espontaneamente possuem mais chances de terem gêmeos", diz Hernandez. Ele explica que isso acontece porque, em uma mulher mais velha, o estímulo para ovular precisa ser maior. Com isso, o organismo acaba produzindo mais FSH (o hormônio estimulador de folículos, as estruturas do ovário que contêm os óvulos) para garantir o desenvolvimento dos poucos folículos que restam. Então, aumenta a probabilidade de se produzir mais de um óvulo, em um mesmo ciclo.

Estudos clínicos confirmam a experiência prática dos consultórios. Uma pesquisa realizada na Universidade Vrije, na Holanda, em 2006, com um grupo de 500 mulheres, chegou à conclusão de que, no último estágio do ciclo reprodutivo da mulher, entre 38 e 48 anos de idade, há um aumento da predisposição à produção de óvulos múltiplos.

Índice de massa corporal 

Mulheres que apresentam um índice de massa corporal mais alto (acima de 30) também podem ter mais chances de gerar filhos gêmeos. A princípio, trata-se apenas de uma relação estatística, de explicação pouco conhecida.

Uma hipótese considerada pelos médicos é a de que mulheres obesas converteriam mais hormônios na gordura. "Elas estabeleceriam uma relação parecida com a das mães maduras, que têm níveis mais altos de FSH na corrente sanguínea e, por isso, teriam mais chances de produzir mais de um óvulo por ciclo", declara Hernandez.

Uso de anticoncepcional 

Após a interrupção do uso de pílula anticoncepcional, também haveria maior probabilidade de gestação gemelar. "Aconteceria mais ou menos o mesmo processo que ocorre com a mulher de idade mais avançada: o organismo enviaria mais hormônio para a corrente sanguínea, fazendo com que a mulher ficasse mais predisposta a ovular mais de um folículo", diz Hernandez.

Mas essa não é uma questão fechada. O médico Eduardo Zlotnik, coordenador do curso de pós-graduação em ginecologia e obstetrícia no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, discorda dessa tese. "Na verdade, o que pode ocorrer é que a mulher demore um pouco mais para voltar ao ciclo regular, apenas isso."

Ovários policísticos 

A obstetra Karla Giusti Zacharias, ginecologista da unidade do Itaim Bibi do Hospital São Luís, também na capital paulista‏, afirma que as mulheres que sofrem da síndrome do ovário policístico, uma disfunção hormonal que provoca irregularidades e falhas no ciclo menstrual, podem, eventualmente, produzir mais óvulos em um determinado ciclo.

O fenômeno poderia ocorrer, especialmente, no caso de mulheres que, em função da doença, precisam tomar medicamentos indutores de ovulação.

Altura da gestante 

"Mulheres mais altas também podem ter mais chances de engravidar de gêmeos", afirma Karla. O motivo seria o aumento da proteína IGF, abreviatura do termo em inglês "insulin-like growth factor" ou "fator de crescimento tipo insulina".

A médica cita uma pesquisa realizada nos Estados Unidos pelo obstetra Gary Steinman, do Centro Médico de Long Island. O levantamento mostrou uma relação entre a maior quantidade dessa substância no sangue e uma maior sensibilidade dos ovários ao FSH, o hormônio folículo-estimulante.

Nesse estudo, Steinman comparou as alturas de 129 mulheres que deram à luz gêmeos ou trigêmeos univitelinos ou bivitelinos (105 tiveram gêmeos e 24 tiveram trigêmeos) com a altura média das mulheres nos Estados Unidos. As mães de nascimentos múltiplos tinham, em média, cerca de 2,54 cm acima da estatura média.

Consumo de leite 

Gary Steinman também descobriu que as mulheres que consomem produtos de origem animal, especialmente laticínios, são cinco vezes mais propensas a ter gêmeos, se comparadas àquelas que fazem uma dieta vegana (sem produtos de origem animal).

A explicação também passa pelo aumento do IGF: a proteína é encontrada no leite de vaca e em outros produtos animais. Mas o que a pesquisa encontrou é uma probabilidade estatística e não um fator determinante, conforme alerta Haddad. "A relação não é tão direta e simples. Não podemos afirmar que, se a pessoa quiser ter gêmeos, então, basta tomar mais leite", diz o médico.

Os riscos da gravidez gemelar 

Apesar do fascínio que envolve os gêmeos, para os médicos, a notícia de uma gravidez gemelar é sempre motivo de preocupação. "Trinta por cento delas resultam em partos prematuros", diz o médico Eduardo Zlotnik, do Hospital Israelita Albert Einstein.

O risco é ainda maior quando os gêmeos dividem a mesma placenta, o que ocorre em cerca de 85% das gestações de bebês univitelinos (nas gestações de bivitelinos, ou seja, não idênticos, há, obrigatoriamente, duas placentas). "Quando há uma placenta só sustentando os dois bebês, um pode puxar o sangue do outro e atrapalhar o seu desenvolvimento", diz Zlotnik.

Segundo dados do Laboratório de Genética da Universidade Católica de Pelotas, a taxa de mortalidade logo após o parto é quatro vezes mais alta para gêmeos e seis vezes maior para trigêmeos.

 Além de prejuízos ao desenvolvimento do bebê, há, ainda, riscos de hipertensão e hemorragia para a mãe, que sofre a sobrecarga de uma gestação múltipla. Também já se verificaram maiores índices de depressão pós-parto nas mães de gêmeos. "A gravidez, por si só, é uma condição que exige bastante do organismo feminino. No caso de gêmeos, a atenção aos bebês e à mãe deve ser ainda maior", fala Zlotnik.

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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Estudo feito em 750 mulheres entre 18 e 40 anos descobriu que taxa de gêmeos após esse tratamento também é menor



Pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, descobriram que o letrozole, remédio usado para evitar a reincidência do câncer de mama, é 30% mais eficaz para estimular a ovulação em comparação ao clomifeno, medicamento atualmente usado para esse fim.

A pesquisa, feita em 750 mulheres entre 18 e 40 anos, analisou o resultado do uso do letrozole e clomifeno ao longo de até cinco ciclos menstruais e provou que a taxa de gravidezes aumentou no uso do medicamento novo em relação ao antigo.

A droga é principalmente indicada para quem sogre da síndrome do ovário policístico (SOP) – um conjunto de sintomas que vão desde a androgenia (características masculinas, como pelos mais grossos), até a acne e menstruação irregular. Mesmo com a síndrome, algumas mulheres conseguem engravidar naturalmente, enquanto outras conseguem conceber somente quando mudam hábitos de vida, como perder peso, controlar o estresse e se alimentar corretamente.

No entanto, para um grupo de mulheres, essas medidas não funcionam, o que leva o ginecologista a receitar um medicamento para estimular a ovulação. São nesses casos que o letrozole se mostrou mais eficiente do comumente usado clomifeno.

A ginecologista especialista em reprodução humana do Vida, Centro de Fertilidade da Rede D’Or, Alessandra Evangelista, explica que o letrozole não é um medicamento novo: está no Brasil há algum tempo para evitar reincidência do câncer de mama. No entanto, a prescrição do novo uso poderá encontrar barreiras no preço: as doses do clomifeno giram em torno de R$ 30 a 50, enquanto o letrozole custa em média de R$ 200 a 400.

Ter um medicamento mais eficaz no mercado não invalida o uso do antigo, que, na grande maioria das vezes, é suficiente para fazer uma mulher engravidar. Acima de tudo, alerta a médica, é preciso investigar a causa da infertilidade.

A idade é um dos fatores que limitam a escolha de tratamentos. Alessandra explica que, em uma mulher com 25 anos, por exemplo, há tempo para que ela possa mudar hábitos de vida, perder peso e desestressar-se. Já se ela tem 35 anos, o tratamento deve ser mais rápido, uma vez que a taxa de fertilidade cai drasticamente após essa idade. A mulher deve tentar mudar os hábitos rapidamente e, se não conseguir engravidar, parte-se para o tratamento.

Menos gêmeos 

Um dos trunfos do letrozole é a menor taxa de nascimento de gêmeos. O estudo mostra que aproximadamente 10% das mulheres que foram estimuladas com clomifeno tiveram gêmeos. Para o letrozole, a taxa caiu para 3%. Segundo os médicos envolvidos com o estudo, conceber apenas um bebê a cada gravidez torna a gestação mais segura.

Disponível no Brasil, o uso do letrozole para estimular ovulação é o que se chama de “off label” – quando um medicamento para um determinado fim é usado para outro propósito. No entanto, como testes de segurança foram feitos para libera-lo para uso nos casos de câncer de mama, a aprovação de um órgão regulador de medicamentos para uma nova função do remédio pode vir mais rapidamente.

Foto: Thinkstock

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